Curiosidade sobre a botânica e formas de cultivo da Orquídea - 2ª Edição Autora: Engª Agrônoma Leah F. Andreoli |
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1. INTRODUÇÃO |
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Cattleya Gaskeliana var. caerulea |
A orquídea pertence a uma família do Reino Vegetal, subdividida em cerca de 1800 gêneros e possui centenas de espécies. O número de espécie oscila entre 35.000, espalhadas entre os quatro cantos do mundo. Existem orquídeas extremamente pequenas (microorquideas) e até plantas com mais de 3 metros de altura. |
Na região do cerrado brasileiro são três espécies mais importantes e ornamentais orquídeas, todas do gênero das Cattleyas.
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2 . BOTÂNICA As orquídeas possuem 3 sépalas e 3 pétalas, uma delas diferenciada chamada de labelo, de onde exala o perfume para atrair seus polinizadores, como insetos e até alguns morcegos. Outra coisa que a caracteriza é a sua coluna – o conjunto formado pelos órgãos sexuais masculinos e femininos na mesma flor. Assim que a flor é polinizada ela murcha e logo começa a se formar uma cápsula. A cápsula tem aparência de uma carambola que, quando madura (seu amadurecimento pode variar de 6 meses a 1 ano) fica marrom e se abre espalhando as milhares sementes existentes em seu interior, atraves, dos agentes da natureza, como chuva, vento, pássaros etc. De acordo com seu lugar de origem, as orquídeas são classificadas como epífitas (vivem em árvores, não são parasitas e estão presentes em maior número), terrestres (crescem no solo, raízes grossas e pilosas), rupícolas (grudam em pedras, vivem em pleno sol) e saprófitas – muito raras (desprovidas de clorofila e alimentam-se de restos vegetais ou animais em decomposição, exemplo: Rhizanthella gardneri). A forma de crescimento das orquídeas também é importante conhecer. Ele pode ser monopodial (crescimento na direção de um eixo central) com ou sem nenhum substrato no vaso que é o caso da Phalaenopsis e a Vanda sucessivamente.
Ou simpodial onde se desenvolvem ao longo do rizoma com vários pseudobulbos também chamados vulgarmente de “bulbos ou “bananas” . Ex.: Miltônia, Cymbidium, Oncidium).
3. FATORES QUE INFLUENCIAM EM SEU DESENVOLVIMENTO Os principais fatores que devem ser observados para o sucesso da cultura são os seguintes: 3.1. Luminosidade é Essencial! Escolha uma ou mais janelas que recebam bastante sol, principalmente o da manhã. Essas janelas devem ser protegidas por telas (sombrite ou mosquiteira), variando a graduação entre 50 e 70% de acordo com a luz ambiente, deste modo as orquideas terão claridade suficiente para a realização da fotossíntese (“energia” para planta). No geral, não e aconselhável a planta receber luz do sol direta, pois as folhas queimam com facilidade. 3.2. Ventilação 3.3. Regas Nunca molhe as plantas quando as folhas estiverem quentes pela incidência da luz solar. Molhe pela manhã ou no fim da tarde, quando o sol estiver no horizonte. Se precisar molhar durante o dia, espere uma nuvem cobrir o sol por cerca de 10 minutos para que as folhas esfriem. Somente, então, borrife as folhas, pois as umedecer é extremamente benéfico. O amarelecimento das folhas pode ser resultado da morte das raízes, sintoma mais característico das regas em excesso. Em dias de muito calor ou em locais muito quentes, é interessante deixar o solo do orquidário úmido; de um modo geral as orquídeas apreciam a umidade atmosférica. 3.4. Umidade e Ambiente Para controlar a umidade, pode-se também colocar os vasos sobre formas contendo pedras britadas ou pequenos pedregulhos com pouca quantidade de água. O fundo dos vasos não pode estar em contato direto com a água, ou seja, evitar pratinhos! 4. FORMAS DE CULTIVO 4.1. Vasos e Suportes O tamanho do vaso é muito importante, deve ser preferencialmente menor para evitar apodrecimento das raizes e fazer com que a planta se sinta segura. Podemos utilizar vasos usados, desde que seja bem limpos com água sanitária e escova. 4.1.1. Substratos Basicamente Utilizados COXIM - este é feito da fibra de coco às vezes misturado ao xaxim – espécie ameaçada em extinção. Pode-se amarrar placas de coxim com orquídeas na arvore. O prazo de validade do coxim desfibrado é de pelo menos 2 anos, que conside com o prazo de troca da planta no vaso. As pessoas habitualmente costumam prender nos troncos das arvores placas de xaxim, porém além do XAXIM estar em extinção, ele com o tempo ele se esgota, sendo preciso efetuar sua troca a cada 3 anos. Existem literaturas que dizem que o xaxim é acido para orquídea. BAMBU PICADO, CASCA DE PINUS TRATADA, ARGILA EXPANDIDA, CACOS DE TELHA OU VASOS DE BARRO QUEBRADOS – são materiais utilizados para fazer drenagem do vaso das orquideas. Não é aconselhavel utilizar brita por causa do pó branco que sai dela. Este pó em contato com as raizes pode se tornar tóxico. Substratos alternativos vêm sendo utilizados ultimamente, como esfágno (musgo-branco), cascas de árvores (ipê, algumas espécies de pinheiro, cedro, angico), fibras de piaçava estes produtos são vendidos em qualquer floricultura. 4.2. Árvores 4.2.1. Como a Orquídea Deverá ser Plantada na Árvore? 1º Passo: retire a orquídea do vaso e limpe suas raízes, nesta situação evite machucar ou podar as raízes; 2º Passo: fixe a planta na árvore, fazendo com que às raízes toquem no tronco da árvore, as raízes deveram estar limpas, mas não se preocupe caso tenha ficado um pouco de substrato. Coloque um pouco de esfagno ou coxim nas raízes; 3º Passo: prenda a orquídea na árvore com um barbante ou sisal, intercalando entre as hastes ao dar as voltas na arvore. Não se deve usar material plástico, sintético, fio de cobre ou arame etc, eles prejudicam o crescimento da árvore e da orquidea. 4º Passo: se a espécie que está sendo plantada for do gênero Cattleya cujas hastes pendem é interessante você prendê-la também na altura dos pseudobulbos, evitando que o vento possa quebrá-la.
4.3. Com Terra As orquídeas terrestres podem e devem ser tratadas como uma planta ornamental normal de jardim com toda a preparação do solo, adubo orgânico e químico. É cultivada a meia-sombra ou a pleno sol, em jardineiras e renques, acompanhando muros, muretas e paredes, ou em grupos formando conjuntos isolados. Multiplica-se facilmente por divisão de touceira ou por estacas, exemplo Epidendrum sp. e Arundina graminifolia.
4.4. Os “Sem Terra” Quanto às orquídeas em apartamento, o orquidófilo deverá ser bastante observador, corrigindo seus eventuais problemas. Coloque as plantas em uma mesa ou prateleira de frente para uma janela (ou em uma varanda) ensolarada, protegida do lado por tela plástica ou mosquiteira, ou até sombrite 50% ou 60%. As plantas devem receber luz do sol peneirado das 10 às 15 horas; para crescer e florescer as plantas precisam de luz. Se o espaço do apartamento for pouco e se querem obter várias plantas, é recomendado utilizar plantas de porte pequeno. Os vasos não podem estar “amontoados” em um espaço, é preciso de pelo menos um palmo de distancia entre uma planta e outra. 5. ADUBAÇÃO Você pode seguir as instruções
gerais abaixo: A partir da primeira floração em diante utilizar adubo orgânico chamado BOKASHI. Uma colher de café por mês, mas o segredo do bokashi é simples: ao em vez de colocar espalhado no pote ou no substrato inteiro, coloque-o apenas em um canto do vaso, no próximo mês coloque-o do lado oposto no próximo mês comece a fazer uma cruz e assim por diante. Observe:
Fig. 12 - Como utilizar o BOKASHI: lembrando: Não se espalha o bokashi! Quando a planta está fixada na árvore não há tanta necessidade de fazer adubação, pois ela recebe da natureza os nutrientes da chuva e outros elementos. Mas para que fiquem bem vigorosas, as orquídeas podem receber adubos de forma liquida. 6. QUANDO REPARTIR, PLANTAR OU TRANSPLANTAR Para repartir a orquidea, o ideal é que quando estiver pelo menos 8 (oito) pseudobulbos é que se faça o replantio, pois assim sendo, é possível com um ano a primeira flor surgir. Para plantar ou transplantar, é quando o pseudobulbo novo estiver crescendo fora do vaso, sem apoio, podendo colocar num vaso maior. Em geral é replantada quando começa ultrapassar o vaso ou quando o substrato estiver muito velho. A troca do vaso pode ser feita em qualquer época do ano, mas sempre quando acabar a floração. E ainda, deve-se esperar que emitam pelo menos duas raízes, para, então separar a planta mãe. Para a divisão das mudas ( ANEXO III ): 1. Retire toda a planta do vaso; Para garantir a fitossanidade é bom limpar as partes maiores da planta com uma esponja macia. E, com sabão neutro e uma escova de dente lavamos as partes mais sensíveis, como raízes etc. usando água corrente. 1. Fazer uma camada de drenagem, preferencialmente 1/3 do vaso utilizando
cacos de cerâmica, argila expandida etc; Uma observação a ser feita é: as orquideas de crescimento monopodial (ver pag. 1) devem ser colocadas no centro do vaso. 1. utilizando-se de uma vareta, faça o tutor,
amarrando os ramos maiores com fios flexíveis, dando duas voltas
na vareta e apenas uma na planta, deixando uma certa folga. Não regue a planta nos próximos 2 dias, aguarde a cicatrização de suas raízes, procure borrifar suas folhas pelo menos duas vezes ao dia, com água fresca, de preferência a tirada da caixa d’agua, onde a incidência de cloro é menor. 7. FLORAÇÃO De modo geral cada espécie tem a sua época de floração que é uma vez por ano. Existem orquídeas que quando bem tratadas, chegam a florir duas ou até três vezes no ano. O mesmo ocorre com híbridos com várias épocas diferentes de floração. Após a floração, segundo Claudia Mello, Agrônoma, “é recomendável podar a haste que deu origem a estas flores até o segundo nó”. Assim a planta em geral não gastaria energia para manter viva aquela haste, e sim para produção de outros ramos ou folhas. 8. DOENÇAS E PRAGAS 8.1. Pragas ( Anexo I ) Falta de arejamento e de iluminação podem ocasionar o aparecimento de pulgões e cochonilhas. São facilmente controladas utilizando uma pequena escova de dentes macia ou cotonete com sabão neutro (detergente) e água. Depois borrifar COMBAT R ou o FORTH DEFENDERR que são inseticidas orgânicos. Também é utilizado calda de fumo que é feita da seguinte maneira: Ferva 100g de fumo de rolo ou coloque toco de cigarro de molho por 24hs em 1L de água, acrescente uma colher de chá de sabão de coco em pó e borrife as plantas infectadas. Vale a pena lembrar que calda de fumo não deve ser guardada, pois costuma fermentar e isto pode ser prejudicial às plantas. As lagartas também podem atacar as orquídeas. Algumas espécies se alimentam dos tecidos vegetais dos pseudobulbos e forma galerias em seu interior. A região atacada fica amarelada e apresenta orifícios pelos quais os excrementos são eliminados e os insetos adultos saem. Para combatê-la é melhor podar a região infectada. No caso de lesmas e caracóis, recomenda-se a retirada manual através de armadilhas de miolo de pão embebido em cerveja ou mesmo cortes pequenos de chuchu. Para retirada completa dos ovos (que medem de 1 a 3 mm) e o restante dos caracóis, deve-se afundar o vaso da planta por uma ou duas horas em água e repetir este processo nas próximas duas ou três semanas seguintes. 8.2. Doenças ( Anexo II ) Plantas encharcadas pelo excesso de água ode ser atacada por fungos e/ou bactérias, causando manchas nas folhas e apodrecimento nos brotos novos. Contra fungos use CuproDimy R pincelando dos dois lados da folha atacada. Se for bactéria jogue a planta fora. Em caso de Antracnose, caracterizada pelo escurecimento e apodrecimento das plantas à partir das raízes em direção aos pseudobulbos e folhas. Neste caso, devem-se eliminar as plantas severamente atacadas. Esta doença fortemente relacionada com excesso de umidade, assim sendo pulverizações devem ser mantidas até que diminuam as condições de alta umidade, pela diminuição das chuvas ou pelo transporte das plantas para local mais seco. A Botrytis também ataca as orquídeas, sendo facilmente disseminada (transmitido) de uma planta para outra, através de instrumentos de corte não esterilizadas corretamente, pela irrigação e pela mão do cultivador. Adubação correta garante planta saudável. O que não se pode fazer é diluir adubo com soluções de fungicida. De um intervalo de pelo menos 48hs entre um e outro. O óleo de neem (Azadirachta india) é um inseticida natural que ficou conhecido nos últimos 30 anos. È biodegradável e pouco tóxico. Ele é acaricida, nematicida, bactericida e fungicida. Pode ser encontrado em feiras botânicas e lojas de viveiros. 9. CURIOSIDADES 9.1. “Seedlings” Este termo inglês representa aquelas mudas
que são compradas bem novas e não possui nenhuma flor,
ou seja, em estágio vegetativo. Para saber qual flor será,
além de ver as fotos que estarão expostas como referencia
à ela, haverá alguma descrição da mesma:
Assim ao comprar mudinhas, o recurso mais seguro será comprar de pessoas com credibilidade e informar-se com o vendedor a respeito dos pais da planta. O certo a fazer é escolher sempre mudas saudáveis e viçosas e jamais compre orquídeas sem nome, principalmente se forem hibridas. Em casa, colocar plaquinhas que indicam: data, nome e de quem comprou. 9.2. Orquidologos X Orquidofilos O colecionador de orquídeas é o ORQUIDOFILO (do grego FILOS = colecionador), e aqueles que estudam, classificam e reclassificam são os ORQUIDOLOGOS (do grego LOGOS = estudar). 9.3. Alguém já Comeu Sorvete de Orquídea? A Vanilla planifolia Andr. É uma orquídea inicialmente arbustiva, que posteriormente possui o habito de trepadeira. Suas flores são de coloração amarelada e com uma linha saliente no centro do labelo. Estão reunidas em cachos, com 3 ou 5 flores, que surgem na axila das folhas. Ela e encontrada em áreas tropicais do Brasil. As flores se desenvolvem em frutos ou favas, os quais se obtêm os cristais da vanila, que originam a essência natural de baunilha, muito utilizada para preparos de doces. Ela adapta-se bem ao coxim desfibrado, em bancadas ou penduradas, mas a segunda opção tem trazido melhores resultados, pois desta forma, a drenagem e a aeração são facilitadas.
10.3. Orquidea para Corte Outro detalhe muito importante sobre essas flores é que a maioria delas permanecem frescas por muito mais tempo do que as rosas e cravos. Tem-se como exemplo a ONCIDIUM, cortadas e colocadas em água, duram mais de quatro semanas! 11. CONCLUSÃO Muna-se de livros e publicações sobre o assunto. Conhecer bem as preferências de cada orquídea é primordial. Estudar, fazer cursos e se informar bem é o mínimo para algo tão grandioso e delicado. Cultivar orquídeas pode ser um desafio gostoso de ser superado. 12. CONTATOS Engª Agrônoma Leah Francesca Andreoli
CREA : DF 13147/D Telefone: (61) 99990133 e_mail: leah_andreoli@yahoo.com.br 13. AGRADECIMENTOS Principalmente eu agradeço a Deus por me dar saúde e felicidade. Agradeço aos que confiam e acreditam em mim. Agradeço aos meus pais por me darem forças. E por último àqueles que me acolheram humildimente em seus viveiros, lojas, associações e residências, torcendo para que tudo dê certo. E VAI DAR CERTO! |
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Reuniões:
Setor Comercial Sul - Quadra 02 - Edifício Goiás
- Sala 501 e 502 - Atrás do Edifício Planalto Todas às 3a. feiras das 19h30 às 22h00 |
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