Cattleya harrisoniana - Bateman, 1836

Bento Paschoal de Faria

Interessante espécie proveniente das terras úmidas do Brasil oriental (restrita   ao  ES, RJ  e  SP), uma  das  vinte  bifoliadas   brasileiras, que  forma  com C. loddigesii, com a qual guarda grande afinidade, um complexo semelhante ao que vemos com as unifoliadas C. labiata e C. warnerii.

Segundo C. L. Withner ("The Cattleyas and their relatives", vol. I, Timber Press, 1988, Portland, EEUU), aquelas distinguimos  porque  C. harrisoniana possui flores sem pintas, maiores, abertas a partir de botões verdes, com mais amarelo no labelo, cujos lobos laterais têm margens mais   pronunciadamente reflexas, e, ainda, porque são plantas com pseudobulbos mais altos e finos quando comparada com C. loddigesii.

Em Pabst e Dungs ("Orchidaceae Brasilienses", vol. I, Brücke-Verlag Kurt Schmersow, Hildesheim, 1975, Alemanha) verificamos que as flores esplanadas de ambas mostram C. harrisoniana menor, com labelo proporcionalmente mais estreito e comprido que em sua irmã.

Produz flores normalmente não-perfumadas durante todo o ano, com alguma concentração no verão. Cultiva-se sem  maiores  dificuldades   pelos  métodos tradicionais, mesmo aqui no Planalto Central.

O belo clone retratado, catalogado na coleção do autor sob o número 35-38, mostra clara tendência trilabelar e discreta cor amarela no labelo. Foi adquirido sem designação de variedade do Orquidário Binot, de Petrópolis, RJ, em 1988.

Bento Paschoal de Faria é funcionário público e orquidófilo associado à SOB desde 08.09.98

 

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