ORQUIDÁRIO NATURAL

Francisco Benedito Wiechert

Quando lemos um jornal ou folheamos uma revista, sempre nos deparamos com mensagens que clamam pela consciência ecológica e a necessidade da preservação da nossa fauna e flora.

Verdade é que sempre há tempo para começarmos a ter atitudes que melhorem a qualidade de vida, diminuindo o "stress", embelezando e tornando nosso ambiente mais agradável.

Portanto, que tal aproveitar as árvores do seu quintal ou chácara para transformar seu jardim em um belíssimo orquidário natural?

Sabemos que nem todas as espécies de árvores são próprias para o cultivo de orquídeas, por terem uma substância química denominada tanino, que é prejudicial às orquídeas. Mas, para quem possui em seu jardim árvores como o Abacateiro, Laranjeira, Limoeiro, Amoreira, Pitangueira, Aroeira, Cedro ou Jatobá, por exemplo, pode aproveitar para transformá-las em um jardim suspenso.

A copa destas árvores fornecerão a luminosidade ideal para o cultivo da maior parte das epífitas comumente comercializadas em exposições e floriculturas. Plantas dos gêneros Cattleya, Oncidium, Epidendum, Catasetum e Dendrobium são os exemplos mais comuns.

Para começar, visualize os locais onde serão fixadas as orquídeas na árvore. Dê preferência a forquilhas e galhos com inclinação média de 45 graus. Escolhido o local, siga as dicas passo a passo.

- Retire a planta do vaso, soltando-a do torrão de xaxim com cuidado para não machucá-la. Coloque-a debaixo da torneira aberta para que a água livre suas raízes do substrato.

- Aproveite para cortar raízes mortas e velhas, deixando pelo menos dez centímetros de comprimento, assim como pseudobulbos murchos ou secos. Não corte nem danifique raízes novas e saudáveis.

- Após a limpeza, é hora de fixá-la na árvore. Procure colocar brotos em desenvolvimento voltados para o alto. Os rizomas devem ficar juntos à casca da árvore, observando seu encaixe ao tronco ou forquilha de forma natural.

- Amarre com um barbante, preferencialmente de algodão, para evitar ferimentos à casca da árvore, assim como à orquídea.

- Nas primeiras semanas, evite regá-las, usando, apenas se necessário, um aspersor manual para umedecer as folhas da planta, sem excesso. Em pouco tempo elas se fixarão com novas raízes e brotos, tendo seu desenvolvimento normalizado.

Por serem epífitas e não parasitas como até a pouco se imaginava, as orquídeas não causam danos ou prejuízos ao desenvolvimento e à saúde da árvore receptadora, que terá seu crescimento normal.

Árvores mortas ou secas em bom estado de conservação também podem ser utilizadas como orquidário natural, trazendo charme, beleza e alegria ao seu jardim.

Francisco Benedito Wieckert é microempresário e orquidófilo associado à  SOB desde 22.02.2000

 

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