Umidade Zero

A ARTE DE CULTIVAR ORQUÍDEAS NO CERRADO

Francisco Benedito Wiechert

Umidade relativa baixa não é algo simples de se falar pois, como sabemos, existem muitos fatores que influenciam e determinam a umidade de um ambiente ou microclima. Orquidófilos do DF e entorno têm um grande problema durante período de junho a setembro, quando ocorre o apogeu da estiagem e verificam-se índices de umidade relativa que, durante os horários de maior calor, chegam a baixar aos 25%, com quedas a até 13%.

Para as plantas regionais como, por exemplo, dos gêneros Cyrtopodium ou Orleanesia, não se observam problemas, mas o que fazer com plantas tropicais, ou plantas provenientes de regiões onde há grande quantidade de chuvas ou, ainda, plantas originárias de pântanos ou alagadiços? Cultivadas em clima quase desértico, torna-se uma tarefa difícil. Por esse motivo a partir desta edição, o SOBOLETIM passará a publicar dicas para facilitar o cultivo de plantas sensíveis a esse tipo de clima.

Sabemos que o excesso de água mata as plantas mais que a sua falta. Entretanto, esse problema pode ser controlado com uma boa drenagem no vaso e com o uso adequado de substrato. Quando o ar está seco, a planta começa a perder suas reservas naturais de água e isto é revelado por meio de suas folhas que enrugam, murchando, podendo, ainda, apresentar a queima das pontas das folhas, diminuição do crescimento e da floração, como é caso das espécies de Coelogyne e Cymbidium. Em outras espécies podemos observar que os pseudobulbos podem enrugar tornando-se flácidos e, em alguns casos, causar a morte da planta. Existem várias formas de contornar esses problemas:

  1. Para quem cultiva suas plantas em bancadas, uma solução boa e barata é a reutilização de bandejas de isopor usadas para embalar frutas e verduras pelos supermercados. Essas bandejas devem ter mais ou menos três a quatro centímetros de altura, e ser completadas com areia grossa de rio. Coloca-se o vaso sobre a areia e rega-se normalmente, mas preste atenção para não permitir que a água fique estagnada nas bandejas a fim de impedir o apodrecimento de raízes e a proliferação de insetos. Com a areia úmida, o vaso de barro deverá absorver com suavidade a umidade para a planta, evitando que ela fique molhada, criando um microclima ideal;
  2. Outra opção é a instalação de canos de pvc, com bicos de irrigação do tipo "galinheiro" ou "israelense", no teto do orquidário. Os bicos devem ser instalados a cada 1,5 m de distância e, quando ligados, devem aspergir vapor de água por mais ou menos cinco minutos à noite, e por igual tempo nas primeiras horas da manhã. Esse procedimento simulará o orvalho, umedecendo todo o ambiente, ajudando a manter as plantas em bom estado de hidratação. Essa instalação não é muito onerosa e é indicada para orquidários de médio a grande porte. Para quem está começando ou tem poucas plantas, um aspersor manual ou costal de médio porte é suficiente e adequado;
  3. Molhar o chão do orquidärio também é uma prática simples e eficiente;
  4. Outro ponto que deve ser observado são as correntes de ar. Vento encanado na seca pode causar prejuízos as plantas. Independente de tudo que já foi descrito, vale lembrar que cada espécie tem o seu regime de regas a ser seguido normalmente.

Ao contrário do que possa parecer, o período de seca não é de todo prejudicial. Essa é uma ótima época para se fazer aquela faxina nas plantas, livrando-se de pulgões, cochinilhas e parasitas, que tanto incomodam na estação das chuvas.

Pode parecer exagero, mas com alguns pequenos cuidados diários suas plantas não sofrerão, e a recompensa virá nas próximas estações.

Agradeço a colaboração de Gerson A Janczura na revisão deste artigo.

Francisco Benedito Wiechert é microempresário e orquidófilo filiado à SOB desde 22.02.2000

 

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