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Valorização das Orquídeas Dulce Arneitz O Brasil é o paraíso das orquídeas e, portanto, nesse aspecto invejado por todos os países do mundo. Pena que os brasileiros, com algumas exceções, não valorizam suas riquezas naturais. Apesar das leis protecionistas do meio ambiente, pouco é feito em relação ao cumprimento das mesmas. Não basta proibir a depredação, seja da forma que for, ou puni-la até com prisão; mais importante é a educação do povo quanto ao respeito ao meio ambiente. Sendo nossa terra tão grande, torna-se impossível uma fiscalização perfeita. Assim, é essencial a colaboração da população, conforme é realizada em outras nações, já educadas nessa área da conservação ambiental. Infelizmente, essa participação popular ainda é bastante tímida no Brasil, o que dificulta uma verdadeira preservação à natureza. Tomo como exemplo a ocasião em que íamos (toda a família) para as praias baianas, quando deparamos com uma imensa árvore derrubada a golpes de machado, caída de uma pequena elevação rumo as acostamento da estrada, formando quase uma ponte. Mau equilibrada, tinha grandes galhos meio enterrados no barranco, enquanto outros flutuavam no ar, desafiando a lei da gravidade, ou seja, prestes a caírem de vez. Chamou nossa atenção as flores coloridas de rosa de um Epidendrum, comum nas árvores que margeiam os manguezais da Bahia. Resolvemos, pois, ir verificar de perto o ocorrido. Acomodamos o carro fora da estrada da melhor maneira possível, saltamos e fomos estudar a situação das plantas, que por certo morreriam sufocadas na terra sob a árvore. Andamos sobre o tronco com certo receio de um possível acidente ou, o que seria pior, a queda completa da tora sobre nós. Não se conseguia observar perfeitamente as plantas que estavam na parte de baixo do tronco. Cuidadosamente retiramos as mudas de Epidendrum, algumas Maxillaria e, notamos ainda, a existência de Encyclia e de Cattleya granulosa. Novas ponderações foram feitas sobre a situação das orquídeas e a possibilidade de coleta. Não nos foi dada a oportunidade de capturar todas as mudas que vimos, em face do mencionado perigo de deslizamento da árvore tombada. Conseguimos mal e mal retirar umas poucas mudas das encontradas. Depois de muito esforço, salvamos alguns espécimes achados, que hoje, bem tratados, enfeitam nosso orquidário, trazendo lembranças da aventura realizada pelos pais, filhos e neta, unidos por um sonho, o cultivo de orquídeas e a devida proteção, coletando apenas em casos extremos, quando o risco de perda é absoluto. No entanto, o morador que matou a árvore secular pouco se importou com as orquídeas que viviam naquele tronco. A falta de cultura e a ignorância não colaboraram para a preservação nem da grandiosa árvore nativa nem das orquídeas que tinham ali seu hábitat. Dulce Arneitz é advogada e orquidófila associada à SOB desde 13.02.2001 |